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Jornalismo de dados #01

The Guardian Datablog production process visualized

Após alguns meses de investigação em infografia jornalística multimédia procurei um olhar mais descomprometido sobre a temática. Falava muitas vezes em infografia interactiva, gráficos interactivos e procurava ilustrar as minhas conversas com alguns exemplos existentes em jornais online como o Guardian e o New York Times. A minha atenção centrava-se cada vez mais em representações gráficas de informação numérica – DADOS. A infografia mais ilustrativa ou explicativa tem tido uma presença menor nas minhas referências. Confesso que este facto não é alheio ao impacto que o documentário “Jornalism in the Age of Data” teve em mim.

É facto que quando se fala em representação gráfica de informação de caracter jornalística, a discução nas grandes redações e nos laboratórios de comunicação é o denominado DATA JORNALISM, ou jornalismo de precisão ou jornalismo de dados ou DDJ (Data Driven jornalism). O termo ainda não está completamente definido por ser uma prática muito recente. É no entanto um assunto já amplamente discutido na comunidade académica e nas redacções dos jornais online.

Começam-se a conjugar esforços no sentido de tornar mais efectiva a construção deste tipo de jornalismo. Exemplo disso é o Manual de redação – The Data Journalism Handbook – lançado pela Fundação pelo Conhecimento Livre e pelo Centro Europeu de Jornalismo no passado mês de Abril 2012 aquando do Festival Internacional de Jornalismo que teve lugar em Perugia, Itália.

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Column Five

Assim que tive acesso a um ipad para auxílio do meu trabalho de investigação umas das minhas primeiras tarefas foi procurar todas as aplicações existentes relacionadas com infografia. Um dos primeiros resultados devolvidos pela appstore foi a aplicação INFOGRAPHICS.

A aplicação em si não é nada de especial e acabou mesmo por ser uma desilusão. Na realidade não passa de um repositório de inforgrafias. Já em termos de conteúdos a questão é bem diferente. Efectivamente a aplicação não é mais que um mostruário dos trabalhos realizados pela agência column five media. Esta agência dedica-se essencialmente à criação de infografias, mo formato print, motion e interactivas.

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Campo Profissional


Porque é dia, é hora, é o momento de seguir. Na montanha russa do phd, é tempo de apanhar mais um “loop”. No mês de Dezembro tive oportunidade de apresentar na Designa o andamento dos meus trabalhos. Deixo aqui o mapa construído à volta do campo profissional da infografia jornalística.

 

Teoria dos campos de Jean Pierre Bourdieu

A teoria Bourdieuniana caracteriza-se  pela complementaridade entre as visões do mundo social denominadas por construtivistas e as visões estruturalistas.  Bourdieu procura superar a dicotomia actor versus estrutura formulando uma série de conceitos centrais as duas esferas,  que são o habitus, o campo e a estratégia.

Bourdieu (1987) caracteriza o conceito de habitus como sendo um sistema de disposições duráveis e socialmente constituídas que, incorporadas por um agente ou um conjunto de agentes, orientam e dão significado às suas acções e representações. Segundo o mesmo, o habitus são estruturas estruturadas e estruturantes que ultrapassam o nível da consciência e fazem a mediação entre as estruturas sociais e as práticas individuais. Bourdieu (1983), na sua definição de campo, indica que os agentes do mesmo são portadores de um determinado habitus adaptado às exigências e necessidades do próprio campo.

Um campo, define-se entre outras coisas através da definição dos objectos de disputas e dos interesses específicos que são irredutíveis aos objectos de disputa e aos interesses próprios de outros campos e que não são percebidos por quem não foi formado para entrar neste campo. Para que um campo funcione é preciso que haja objectos de disputa e pessoas prontas a disputar o jogo dotadas de habitus que impliquem o conhecimento e reconhecimento das leis imanentes do jogo, dos objectos de disputas, etc. (Boudieu, 1983. p. 89)

Seguindo a definição de Bourdieu (1983), entendemos o conceito de campo como um espaço da vida social ou prática social que possui uma estrutura própria e relativamente autónoma em relação a outros espaços. Apesar das homologias que unem os vários campos, cada um apresenta uma lógica específica de funcionamento estruturadora das relações entre os vários agentes internos do próprio campo.  Ainda segundo o autor, todos os campos estruturam-se a partir das relações de aliança ou conflito entre os diferentes agentes que lutam pela posse de determinado capital simbólico. A posse desse capital passa a ser a matriz estruturadora das hierarquias internas dos agentes dentro do campo.

Bourdieu (1990) defende que as hierarquias estabelecidas no interior dos diferentes campos não são irredutíveis, mas antes constituídas pela lógica que define o campo específico. Segundo o mesmo, nos campos de produção de bens simbólicos e culturais a forma específica de capital que move as lutas internas é o capital simbólico expresso em formas de reconhecimento, legitimidade e consagração, institucionalizadas ou não que os agentes ou instituições conseguem acumular no decorrer das lutas internas.

Bourdieu (1990)  considera os produtores de bens culturais e simbólicos agentes dominantes dentro de um campo por possuírem um capital cultural específico que lhes confere determinadas formas de poder e de privilégios. No entanto, a posição relativa de um agente dentro do campo é dada quer pela posse de um determinado capital específico como pela própria posição do campo em relação aos demais campos de produção como também à posição do campo em relação aos campos do poder.

Ainda segundo Bourdieu (1983) os agentes de um campo desenvolvem estratégias de conservação e  exclusão no caso das ortodoxias (agentes que ocupam as posições dominantes no interior do campo) ou subversão no caso das heterodoxias (agentes que ocupam as posições dominadas no interior do campo).

As estratégias são sequencias da prática estruturadas ou uma série de acções ordenadas e orientadas que os agentes do campo desenvolvem em função de um habitus adquirido e das possibilidades que esse campo oferece na procura da maximização dos lucros específicos do campo. As estratégias são acções com um determinado objectivo não pré-definido. Segundo Bourdieu (1974) as estratégias são o resultado do senso comum e do conhecimento das regras do jogo social adquirido pelo experiência e pela participação nas actividades do campo. São o resultado do habitus na relação com um campo.

Bourdieu (1974, p.3),  define as estratégias como sendo:

(…) razoáveis sem serem o produto de um raciocínio propositado ou, com mais razão, de um cálculo racional; motivadas por um tipo de finalidade objectiva sem serem conscientemente organizadas em relação a um fim explicitamente constituído; inteligíveis e coerentes sem serem o produto de uma intenção inteligente ou de uma decisão deliberada; ajustadas ao futuro sem serem o produto de um projecto ou de um plano.

A constituição e definição de um campo específico, como sendo o da infografia, é um processo que diz respeito à formação de categorias profissionais distintas dos produtores desses bens, à constituição  de um público de consumidores e ainda à constituição de instâncias de consagração da produção e difusão.

Segundo Bourdieu (1987)  a constituição e autonomia de um campo depende  da definição de normas que orientam a sua produção, das condutas dos seus agentes e dos critérios de avaliação dos seus produtos. O mesmo propõe uma metodologia que considera a análise da relação entre biografia  individual e obra, a análise interna da obra e a análise das relações entre um conjunto de obras.

Esta metodologia defendida por Bourdieu aparece como crítica a outras abordagens de análises sociológicas da noção de campo que se fixam em aspectos individuais. Bourdieu Critica essencialmente três géneros de abordagens: as que privilegiam o estudo dos produtos da actividade cultural como puras criações de um génio; as que vêem as obras e seus produtores como reflexos das condições sociais; as que se limitam a análise interna das obras.

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Bourdieu, J. P. (1974). Avenir de classe et causalité du probable. Paris: Revue Française de Sociologie.

Bourdieu, J. P.  (1987).  A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva

Bourdieu, J. P.   (1983). Questões de sociologia. Rio de Janeiro.

Bourdieu, J. P. (1990).  Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense

Bourdieu, J. P. (1989). O poder simbólico. Lisboa: Difel

 

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Vídeo infográfico

O NYTimes online tem vindo a inovar a forma como a informação é apresentada e tem servido de matriz para muitas outras publicações.  Os seus produtos multimédia (infografia multimédia) têm ganho vários prémios internacionais de infografia nos últimos anos, o que nos faz olhar para eles com muita credibilidade. Aqui, podemos encontrar uma forma, que não é de toda inovadora, dado que os motions graphics associados ao vídeo são uma realidade há já muitos anos, no entanto constitui alguma inovação na sua associação a um produto jornalístico multimédia.